Se bem se lembram, a nossa primeira paragem foi Bangkok e depois seguimos para um norte muito barato, carregado de templos, gente afável e muito verde.
Com os Bagagens em Viagem, a nossa primeira paragem voltou a ser Bangkok, onde aproveitamos para visitar sítios que até então não tínhamos visitado, para lhes mostrar locais que gostámos muito, e para explorar arredores.
Bangkok é gigante e a cada dia e caminhada uma nova descoberta e experiência.
O cheiro continua a ser o mesmo, e durante a nossa viagem usamos montes de vezes a expressão “cheira a Bangkok”, o que não é de todo um elogio.
Inicial, e compreensivamente, incomodou muito os novatos na Ásia e as primeiras refeições foram limitadas a umas frutas frescas e uns sumos deliciosos.
É o jet lag, a noite sem dormir, a excitação de ver estas caras lindas e claro, o bafo, o cheiro a ranço, os pratos lavados numa bacia que mete medo ao susto e aqueles conselhos exagerados da Dra. Ana, na consulta do viajante em Leiria.
Lição que os pais tinham muito bem estudada:
– Não beber sumos com gelo;
– Não comer fruta descascada;
– Não comer comida de rua…
Entre tantos outros!

Quem já esteve por estas bandas sabe que o incumprimento é regra e não excepção.
Frutas tropicais deliciosas ali expostas em carrinhos ambulantes, a um preço corriqueiro e para as quais nem temos de nos deslocar.
Sumos a um euro, com essas mesmas frutas deliciosas e obviamente com gelo porque o calor, que apesar de ser muito inferior ao que sentimos em setembro, dá cabo de qualquer corpinho.
Deste passo, ao comer comida de rua foi um tirinho. E não foi difícil os Bagagens em viagem começarem a gostar e a confiar nos pratos mais comuns. Já vamos em quatro meses e vamos conseguindo distinguir um sítio muito mau, de um mediano ou bom, pelo mesmo preço.
Sem dúvida que a comida da Tailândia é a melhor até ao momento, ainda que tenhamos de relembrar que a confecção seja, “sem açúcar, por favor”. Em Bangkok enchemo-nos de Pad Thai, frango com gengibre, frutas deliciosas e batidos.
Levámos os pais a visitar o Grand Palace, a Golden Mountain, coisas que já tínhamos visto e que recomendamos sempre. Visitámos pela primeira vez o Wat Arun Ratchawararam, a enorme e confusa China Town, e os pais ainda estiveram na fila para ver o Wat Pho – um Buda gigante.
Passámos pela loucura da Kao San Road, onde fizemos espécies de pick-nicks improvisados com as deliciosas comidas de rua, e visitámos nos arredores da cidade, o Train Market e o “falso” mercado flutuante, onde tivemos a sorte de ver dois gigantes lagartos monitor em habitat natural.
Entre muita conversa, massagens, autocarros, tuc-tuc, visitas a monumentos, barcos e uma série de outras coisas, os dias passaram num instante.

Seguimos entusiasmados para o Sul.
Com apenas 14 dias no total, optámos por explorar a zona de Krabi, passando por Ao Nang, Railway Beach e pela famosa Phi Phi Don.
O Sul é completamente diferente do que vimos e vivemos na Tailândia, anteriormente.
Sul é areia branca, água quente e clara, preços inflacionados, grandes multidões e muita festa. Sul é maioritariamente e surpreendentemente muçulmano. Menos templos, mais mesquitas. Menos motas. Sul é peixe fresco e cheiro a mar.
Sul com pais é beber uma cerveja ao final do dia, e fazer sempre a caminhada depois do jantar.
Explorámos arredores, mercados, fizemos um tour, subimos miradouros, perdemo-nos em busca de praias desertas, fizemos sestas e caminhadas na praia.
Começámos em Ao Nang e fomos elevando o nível até chegar às Phi Phi.

Ao Nang tem um grande areal, e à primeira vista diríamos água límpida e clara. Está próxima de muitas pequenas ilhas paradisíacas visitáveis através de tours.
Tem muita noite, centenas de bares e lojas de souvenirs. Um Algarve destas bandas.
Ficámos num hostel, porque queríamos mostrar aos pais o ambiente de um e como dormimos na maior parte da nossa viagem.

Para chegar à Railay Beach, que não se trata de uma ilha mas de uma península rodada de gigantes montanhas, tivemos de ir de barco. Naqueles tipo postal da Tailândia, lindos mas com níveis de poluição completamente assustadores. Há barcos ao pontapé, e não se imaginem numa destas praias sem ruído, são de facto barulhentos e excelentes perturbadores de vida marinha, e silêncio.
Neste pedaço de paraíso existem quatro praias, sendo uma delas mega poluída, para onde vai todo o lixo e resíduos dos resorts e hotéis, uma outra com água clara, vegetação e um santuário numa pequena gruta adornado por pénis de todos os tamanhos e feitios, esculpidos em madeira. Há uma suposta explicação para isto. Estes pénis todos, foram em tempos supostas ofertas de pescadores a uma deusa que lhes conferia fertilidade e prosperidade. Nós acreditamos só que foi um tarado que começou com a brincadeira e colou.
A meca da escalada fica aqui, e apesar de ser algo que gostámos muito, alugar equipamento estava completamente fora do nosso orçamento. No entanto, fizemos uma espécie de escalada livre onde o Joaquim Bagagem, nos envergonhou e bem, com a sua agilidade de 20 aninhos, naquela que foi a visita a um miradouro e lagoa nas profundezas da montanha. Um sítio de muito difícil e suposto proibido acesso, mas com uma mística incrível.
Railay não tem mega infraestruturas, mas tem tudo o que é preciso para sobreviver e revelou –se super agradável por ter também menos gente.
Vida selvagem há aos molhos e é comum primatas andarem por aqui, sendo bastante civilizados. Observámos mais um daqueles gigantes lagartos na praia, esquilos e peixes de várias cores que apesar da massificação turística ainda vão sobrevivendo, não sabemos bem como.
Deixámos as Phi Phi para o fim, e ficámos contentes por isso. Não é a nossa concepção de paraíso, porém é fácil perceber porque são tão conhecidas e primeira escolha para milhares de turistas anualmente. Água quente, limpa, muita vida nocturna, lojas, festas, e actividades aos pontapés para entreter os turistas.
Este lugar, foi um dos mais devastados durante o tsunami de 2004. Aquele que matou 230 000 pessoas em 14 países diferente. Impressionante, como foi depressa reerguido para voltar a receber turistas. A canalização, iluminação e outra coisas revela-se deficiente e há muitas infraestruturas por terminar.

Trocas e baldrocas de voos, e para a despedida ainda passámos mais um dia com os pais na intensa Bangkok.
Durante o planeamento da visita dos Bagagens em Viagem, a nossa maior preocupação era que os nossos planos pudessem não ser os mais agradáveis ou confortáveis para eles, contudo rapidamente percebermos que têm mais energia que nós, parar é morrer e que são super adaptáveis e mente aberta para qualquer situação.

Férias com pais/sogros nesta altura da nossa vida é uma dádiva e não temos como agradecer.

Ficámos felizes por terem gostado, por nos verem bem e por termos desmistificando muitas coisas que até então não os deixavam seguros de que a nossa estadia e permanência deste lado do mundo estivesse a ser a melhor.
Viram que comemos bem por preços baixos, dormimos com um tecto melhor ou pior por preços razoáveis e que por cá há de tudo, tal e qual. Sentiram, a cima de tudo que as pessoas são boas e que estamos muito felizes com a decisão que tomámos.
Cremos acreditar que o coração mais descansado voltaram a Portugal.

Obrigado do fundo do coração pelo patrocínio destas férias em família e por estarem sempre do nosso lado.

A transbordar de amor,
Marta & filho Ricardo

16 de Janeiro de 2018

Ao som de Skunk Anansie – You will follow me down

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