Breviário Filipinas

Este resumo não é, nem pode ser, generalizado a cerca de 2000 ilhas habitadas nesta imensidão de país. Falamos da realidade que conhecemos de Bohol, Cebu e Siargao. Os preços, alimentação, língua, costumes variam de norte a sul de um país, imaginem em tanto pedaço de terra.

20 dias
19 noites
3 ilhas
11 sítios diferentes onde dormimos
9 privados contra 2 dormitórios

A média do preço por noite subiu para os 6,5€ por pessoa. O alojamento é um pouco mais caro que nos países anteriores. E o facto de termos levado uma “banhada” no Booking também aumentou a nossa média.
A higiene dos lugares é relativa. Tivemos em sítios muito simples, como em bungalows de bambu super limpos, e em lugares um pouco mais caros com muitas baratas como colegas de quarto.
Apenas, tivemos água quente num Hostel e tendo em conta que as noites nesta época são frias e húmidas até saberia bem. É comum por estes países haver apenas água fria. Já estamos habituados.

Total de deslocações: 3 (grandes distâncias), sendo dois voos internos (ida e volta para o paraíso) e um ferry. Perdemos a conta aos quilómetros percorridos de autocarro, de mota e nas pernas.
Os transportes nas Filipinas são muito característicos. Super coloridos e com formatos únicos.
Os Jepneys (autocarros) são muito baratos e os triciclos (uma nova espécie de tuc-tuc) não são um exagero, porém com estes é sempre preciso negociar.

O que mais gostámos: beleza natural e o povo, são o conjunto mais que perfeito para querer repetir este país.

O que menos gostámos: alimentação. Para carnívoros é óptimo, para quem quer variar mantendo o orçamento, é tramado. Muito frango frito e grelhados, arroz branco e muito muito poucos vegetais, ou a preços exorbitantes.
Para quem é guloso, como o Bagagem, há pastelarias ao pontapé com bolos diversificados e baratos. O pão também é adocicado.
Há restaurantes locais com muita coisa já cozinhada e dá para pedir um bocadinho de várias coisas a preços muito em conta. 90% dos recipientes contém carne.

Sítio preferido: a ilha de Siargao e os seus mil magníficos spots.

Meteorologia geral: fomos no inverno, época baixa, pouca gente e muita chuva. Muita chuva mesmo. Com temperaturas a rondar até os 32° durante o dia. De noite um bocadinho mais fresco.
Os locais bebem montes de rum com cola. Dizem que é para aquecer naqueles dias de inverno dolorosos, quando estão 30°.
Nós apanhamos uma gigante bebedeira quando nos metemos com eles, ou então estávamos cheios de frio.

Gente hospitaleira e com orgulho em mostrar a sua cultura e falar sobre ela. A língua oficial é o inglês, portanto a comunicação é muito fácil.
Muitas palavras da língua local em espanhol também. Colonizadores e seus legados.

Somos sempre, sempre, sempre chamados de “Madame ou Sir”. Em qualquer contexto, em qualquer lugar. Americanices.
Às vezes na forma e na quantidade de vezes que o dizem, soa a submissão e não nos sentimos bem com isso. Quando respondiamos na mesma moeda “Thank you, Sir”, os olhos deles até brilhavam.

Preços de supermercados/minimercados muito razoáveis. Só em grandes cidades é que se encontram supermercados com variedade de produtos.
Os minimercados servem como café ou posto de combustível em muitos lugares.

Menos mercados, menos frutas frescas. Não vimos sumos de frutas. A comida não é picante.

1 euro = 60 Pesos Filipinos

“Prova as Filipinas e verás”, as mulheres são mesmo muito bonitas.
Nas três ilhas, vimos sempre muitos estrangeiros com mulheres Filipinas.
Nos outros países já tínhamos observado isto, mas nas Filipinas há mesmo muitos casais.

Apesar de ser um país maioritariamente católico, os trans e travestis são aceites com naturalidade. No sudeste asiático, é recorrente vermos Lady Boys, como são vulgarmente chamados, nos mais diversos sítios, sem receio de assumir a sua orientação e posição junto da sociedade. Achámos que, poderia ser uma questão ligada principalmente ao Budismo, pois este tem como um dos seus motes aceitar todas as pessoas e seres vivos. Tendo em conta, que nas Filipinas a população não é budista, achamos que é só uma questão de mentalidade, amor e respeito pelo próximo.
Temos muito a aprender Europa e derivados.

A nível de lixo e preocupação ambiental vimos coisas diferentes nas três ilhas. Talvez tenha a ver com as diferentes medidas tomadas pela composição do organismo de cada uma.
Em Siargao, por exemplo, há vários anúncios a proibir sacos de plástico; nos restaurantes usam-se palhinhas de bambu ou inox e não há colheres de plástico para comer os cocos.
Em contrapartida, em Cebu, fomos a um supermercado e queriam dar-nos um saco por cada item.

O actual Presidente, Duterte, no seu sétimo mandado não consecutivo, é bastante polémico e controverso devido a declarações e atitudes, comparando-se a ele mesmo com Hitler.
Tenciona acabar com o consumo e tráfico de forma radical e com o crime no geral. Quer criar esquadrões da morte, sendo acusado pelas organizações dos direitos humanos. No ano passado estimava-se que morreram mais de 5000 pessoas relacionadas com o tráfego de drogas, em apenas dois anos.

Daquilo que percebemos, no geral, o povo gosta dele porque está a tornar as Filipinas um país mais seguro.
Nós sentimo-nos seguros enquanto turistas e nunca nos sentimos enganados.
Os preços são justos.

Apesar de todos os elogios que temos a fazer a estes lugares, as condições de acesso à saúde são deficientes.

Aprendi da pior forma o que são os “Jellyfish”, pois fui “electrificada” por dois.
Tratam-se de pequenas alforrecas com uns tectaculozinhos comprimidos, que provocam queimaduras e muita dor. Caso fosse alérgica teria sido um problema, mas felizmente não sou. Para aliviar, há quem diga para fazer xixi em cima, eu acabei por pôr vinagre e passado umas horas a dor ficou mais ténue.

Este pedaço de paraíso foi o que nos ficou mais caro até à data, pois apesar de não se pagar visto para um mês, contámos com voo de entrada, de saída e internos. Fora isso, está muito dentro da média do Sudeste Asiático e do budget de um backpacker.

 

Dicas:

Planear um roteiro para tanta ilha é tarefa árdua. Se quiserem desfrutar aconselhamos a que visitem ilhas próximas e que não tentem ver tudo, é impossível.
Os barcos são demorados e torna-se dispendioso. Voos internos com antecedência é a melhor solução.

Em ilhas mais pequenas, alugar mota é o ideal. Por exemplo, em Siargao só a carrinha para a cidade principal – General Luna, são 350 PHP/pessoa. Conseguimos, a ferros, mota a 370 PHP/dia. Fizemos a conta de ida e volta para o aeroporto de duas pessoas, daria 1400 PHP. Fora todas as deslocações para praias, outras zonas de ilhas, a escassez de transportes e a liberdade que isso nos dá o aluguer, compensou em tudo.

Em cidades os autocarros locais são muito boa opção, assim como de ida/volta para o aeroporto.

O valor das pranchas em Siargao é de 5,50€ por dia, com a possibilidade de trocar de prancha para experimentar vários modelos. É óptimo para iniciantes, mas eu continuo a não me safar.
O fundo é de pedra ou coral, por isso uns sapatinhos de andar na água são boa solução.

Tal como nos outros países, sorrir é caminho andando para que gente boa se aproxime e que tudo corra bem.

A este temos mesmo de voltar, ainda ficaram pelo menos 6997 ilhas por explorar.
Passou rápido demais, é lindo demais, as pessoas são brutais.

Filipinas está no topo da nossa lista!

Com amor,

Marta & Bag

5 de Fevereiro de 2019

Ao som de Metronomy – The bay

2 Replies to “Breviário Filipinas”

  1. “Às vezes na forma e na quantidade de vezes que o dizem, soa a submissão e não nos sentimos bem com isso. Quando respondíamos na mesma moeda “Thank you, Sir”, os olhos deles até brilhavam.”

    Tão vosso. Tão bom. Muito isso, sempre. E assim teríamos um mundo melhor e mais justo.
    Seus lindos! Não mudem nunca :’)

    Beijinhos meus e dos patudos <3
    Até já!

  2. As pessoas fantásticas que vieram deste “pedaço de paraíso” fizeram-me despertar especial curiosidade por este texto. O vosso feedback faz-me despertar ainda mais de dar aqui um saltinho.
    Adoro a vossa escrita, a forma como descrevem tão bem o que vivenciaram, as dicas que dão a quem pensa visitar, e adoro ainda mais saber que andam felizes da vida

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