Desta vez, expeccionalmente, fizemos uma lista de coisa gerais que vos podem ajudar em Bali, pois passámos lá dois meses completos. Onde comer, onde dormir são coisas que diferem muito em cada tipo de viagem, mas se precisarem de ajuda teremos todo o gosto.

 

1. Transportes

Alugar moto é melhor forma de se deslocarem. Mesmo que por vezes sejam distâncias longas e cansativas, não há nada como a liberdade de poder parar e ficar onde se quer, pelo tempo que se deseja.
No centro é caótico, mas nas periferias é super tranquilo conduzir.
Usar capacete, roupa discreta, talvez uma camisa ou casaco, e não ter uma condução agressiva é meio caminho andado para não ser parado pela polícia.

Vimos algumas vezes, mesmo na confusão de uma estrada principal polícias ap parar o trânsito e multar matulões sem t-shirt e capacete.
É tudo na boa, mas também não abusem.

Não ter carta internacional custa 1 milhão de Rupias (62€), se puderem tratem do assunto em Portugal antes de vir para qualquer um destes países.

Fomos aconselhados a colocar 100.000 Rupias por baixo do banco da mota, para o caso de sermos parados por algum polícia corrupto, que não quisessem implicar demasiado.
Correu tudo bem, mas assim que voltarmos a Portugal vamos tratar da carta internacional.
É um descanso.

Pagámos por dois meses de mota 94€. O que dá algo como 1.56€ ao dia.
Um litro de combustível custa entre 7.000Rp a 10.000Rp (0.43€ a 0.62€).

A rede de transportes públicos é fraca. Não usámos, mas tivemos feedback de várias pessoas e não é fácil obter informação, pois há toda uma máfia de taxistas. Nos hósteis vão sempre recomendar carrinhas privadas.
Há muitos lugares, e ruas específicas onde é proibido chamar Uber. Vão ver sinalização em toda a ilha sobre o assunto.
Se quiserem usar esta aplicação, que é mais económica, saiam do centro para o fazer.

 

2. Prancha/Surf

Para quem vem por longos períodos o ideal é comprar prancha. Há montes de lojas de material novo e em segunda mão.
Também há grupos no Facebook de malta que se quer desfazer rapidamente do equipamento , e aí os negócios podem ser melhores.

O preço médio de uma prancha em segunda mão é de 2.500.000Rp (155€).
Na altura de alugar mota peçam com suporte para a prancha.

Grupo Facebook: Bali surfboards buy and sell

Melhores spots para o surfista da casa:
Nusa Dua e Uluwatu (cada um destes sítios tem vários picos e onda diferente).

 

3. Segurança

Nunca tivemos problemas, nem nos sentimos inseguros. Mas como em todos os países é preciso bom senso.
Na altura de ir a algum lado não é aconselhável deixar prancha na mota. Já os capacetes e as compras, sem problema.

 

4. Bed Bugs

Alerta! Praga de bed bugs (percevejos). O nosso pesadelo voltou.
Na primeira noite que tentamos dormir fora, tínhamos bed bugs no quarto.
De todas as outras vezes, fiquei como isco em cima da cama durante meia hora, depois de uma minuciosa revista ao quarto, a aguardar ser atacada para procurar outro lugar, ou não.
Tenham atenção aos lugares onde ficam, é uma praga que assola o sudeste da Ásia e veio para ficar.

Agora escolhemos sempre hosteis pequenos, com quartos privados e longe do centro. Estamos dispostos a pagar mais para não passar por estes filmes outra vez. No entanto, pagar mais não quer dizer mesmo nada, é preciso sorte e não ter um sangue como o meu.

 

5. Comida

Entusiasmados com as condições da nossa casa, ponderámos cozinhar, no entanto após duas refeições e fazendo contas aos gastos, fica muito mais acessível comer em restaurantes locais.

Há muitos warungs (restaurantes) onde a comida está exposta em vitrines e podem escolher várias coisas. Desde vegetais, a massa, carne, peixe, tofu, soja. Sempre acompanhado com arroz.
O preço é dado num cartão, ou no fim da refeição. Varia entre 10.000Rp a 50.000Rp (0.62€ a 3.13€).
Comíamos em buffets ao almoço, mas ao jantar não, porque geralmente é a comida que sobra do almoço.

Nunca fomos a restaurantes da moda com as healthy cenas. Para quem vem de férias não será nada de outro mundo, mas custa dar 5€ por uma taça de cereais com fruta.

A comida é à base de arroz, massa e fritos. O picante pode ser mortal, como em todo o sudeste Asiático.
Não é nada de extraordinário, mas é boa. Depois de umas Filipinas mega carnívoras, aproveitámos para deixar a carne de lado na maioria das nossas refeições.
Há fruta boa, mas também não é a abundância da Tailândia.

Alguns pratos típicos:
Martaback, tempe, nasi campur, nasi goreng, mie goreng, Soto Ayam, Babi gulling, Gado gado…
Molho de amendoim, é delicioso.
Terang bulang – se virem uma banca com isto parem, esqueçam a vossa saúde e peçam. É uma sobremesa, bolo fofo e gorduroso que pode ser recheado com amendoim, leite condensado, chocolate ou com tudo isto junto. É delicioso.

Em Jimbaran, há um mercado do peixe onde é possível comprar de tudo e mais alguma coisa e pedir para grelhar do lado de fora.
Para narizes sensíveis é aconselhável não entrar.
É preciso negociar um bocadinho, fingir que são clientes habituais e que percebem muito dos preços.
Quando fomos com um amigo local os preços foram bastante inferiores, comparando com a vezes que fomos sozinhos.

Preços médios, a regatear muito, sem amigo local por perto:
Um quilo de lulas grandes – 60.000Rp (3.74€)
Um quilo camarão pequeno – 65.000Rp (4€)
Um quilo de bife de atum – 85.000Rp (5.30€)
Não tão diferente dos nossos preços em Portugal.

Do lado de fora há vários “restaurantes” a cobrarem entre 20.000Rp e 30.000Rp por quilo, para grelhar. Amanham, limpam, temperam e grelham.
Para acompanhar podem sempre pedir arroz – 5.000Rp um prato (0.30€).

 

6. Cartão de telemóvel/dados

Há várias opções de GB, funcionalidades e preços. A questão é só uma, se estiverem a dar mais de 200.000Rp por qualquer cartão, estão a ser enganados.

 

7. Bali por zonas
(Do que conhecemos)

Kuta/Siminyak – perto do aeroporto. Zona central recheada de turistas, na sua maioria australianos bêbedos. Lojas de souvenirs, roupas de marcas caras, Mc Donald’s, KFC e tudo o que há de cadeias no mundo ocidentalizado. Muita noite, barulho, confusão e loucura.

Lugar onde houve o atentado em 2002 que resultou em 202 mortos. Há um memorial às vítimas a rua principal, se quiserem visitar.
A praia não é nada de extraordinário, na nossa opinião.

Canggu – hippie, vegan, chill, relax. Praias de areia preta, hosteis com pinta, restaurantes todos lindos com decorações brutais. Caro.
Mercados com coisas bonitas mas caras.
Para quem vem de férias será provavelmente uma zona agradável, com muito menos loucura que Kuta.

Tanalot Temple: fica afastado do centro, mas vale muito a pena visitar e ficar para ver o pôr-do-sol. (60.000Rp – 3.76€)
À esquerda, numa ruela mesmo ao pé do portal da entrada principal, há um pequeno jardim zoológico de um fanático por répteis que afirma veemente que as cobras nunca morrem. Tem uma colecção assustadora e exemplar.

Ubud – centro espiritual de Bali. O que não falta são retiros de yoga, templos e templinhos. Casas que parecem templos. Uma estrada gigante de artesanato local e um mercado engraçado.
O centro é confuso, com gente a perguntar “táxi, táxi, táxi”. Tem restaurantes da moda caros, mas se se afastarem do centro há os warungs locais com comida a preços mais acessíveis e boa.
Os terraços de arroz ali à volta e o caminho pedonal Campuhan Ridge Walk, são passeios muito agradáveis.
Também há a floresta dos macacos, mas tendo em conta que estes estão por todo o lado em Bali cremos que é um desperdício pagar para sermos, talvez, roubados por eles.

Há cascatas muito bonitas na zona. Umas repletas de gente, outras completamente vazias. É por no mapa, desbravar e ter sorte.

O Tirta Empul Temple, onde se faz o ritual de purificação fica a uns quilómetros e vale a pena a visita na nossa opinião. Os caminhos até lá são bem bonitos. Se decidirem fazer o ritual, observem e respeitem os locais. Não vão para dentro de água tirar fotos ridículas.
(50.000Rp – 3.13€)

Tegalalang Rice Terraces, os mais famosos, mais movimentados mas também os mais bonitos. (2000Rp – 0.13€)

Amed – uma zona repleta de vilas piscatórias. Um bom passeio de mota para parar em várias aldeias, meter conversa com os locais e observar as vistas.
O centro tem uns hosteis, restaurantes e muitas escolas de scuba diving e gente a alugar equipamento de snorkeling.
Aconselhamos, sem dúvida, a fazer snorkeling por lá. Para além do fundo ser de pedra, a água super clara e límpida, há um navio americano afundado mesmo perto da costa, repleto de vida animal.

Para além disto, há vista privilegiada para o maior e activo vulcão de Bali, o Monte Agung.

Um dos templos muito conhecidos da zona, é o Pura Lempuyang. Famoso pelas suas espetaculares fotos nos portais completamente centrados no cume do Agung. Se tiverem dispostos a esperar uma hora por uma foto, força. A malta faz fila.
Se seguirem para cima há vários templos em vários níveis. Escadas, e muito lixo pelo caminho mas a vista sobre os arrozais e o vulcão compensa o esforço.

Munduk – Fica no norte de Bali, é uma zona repleta de montanhas, cascatas e lagos.
Resultado: paisagens lindas.
Poucos turistas. Contacto com a cultura real.
Fomos em época de chuvas e deste modo todas as tardes choveu muito. É aconselhável acordar bem cedo porque de manhã o sol costuma brilhar.

Monte Batur – ficámos a dormir em Songan, uma pequena vila, para na madrugada subir o vulcão.
Há tours a sair de todos os pontos da ilha, mas se forem com tempo é uma zona muito agradável para se ficar. As paisagens são bonitas. Não esperem muitas opções de comida e dormida. O multibanco mais próximo fica a mais de 40 minutos de caminho e não estava a funcionar.

Subir o vulcão? Sim.
Sozinhos? Talvez (ou) não. Os caminhos estão bem marcados e é fácil dar com a gigante cratera, a questão não é perderem-se ou ser perigoso, é a máfia. Como em qualquer país onde tivemos NUNCA aconselham a fazer trekkings sozinhos, pois há guias para o efeito e nos postos de turismo não nos dão informação.
Não é como na Europa que há mapas, sites e placas a cada 10 quilómetros a indicar os caminhos. Aqui tudo é negócio. Mas este é exageradamente caro e muito rentável para os “empresários”.
Lemos muito, pesquisamos e ouvimos relatos de malta que foi agredida durante a subida por não ter guia. Até começarmos a caminhada ao percebiam os como isto podia acontecer, mas fomos percebendo que há motas a fazer de táxis para turistas mais preguiçosos e a controlar qualquer movimento de estrangeiros que não tenham guias, para além de vários postos de controlo.
Não arriscamos e pagámos 20€ cada um, com bilhete negociado a ferros, numa das “lojas oficiais do governo”. Óbvio que é treta, toda a gente sabe e ficamos lixados de compactuar com isto. Mas por estes países há tanta treta. Subir a um miradouro é pago, parar na praia…. Se queres ver, pagas.
Inicialmente queriam os 40€ para cada um, conseguimos o mesmo valor para os dois mas sem pequeno almoço e com a justificação de ser um guia.
Bem e que guia, uma miúda pela qual tivemos de parar mais de 15 vezes na subida. Eu estava a recuperar de umas quantas enfermidades e nas duas horas de subida aguentei-me à bomboca. Esquecendo esta parte menos boa, foi uma experiência incrível.
Ver o nascer do sol no cimo do vulcão que tem vista para outro, que dias antes tinha tido uma pequena erupção foi das coisas mais bonitas que fizemos nos últimos tempos.

Nusas – 3 pequenas ilhas pertencentes a Bali. Podem apanhar o barco no Porto de Sanur por 200.000Rp (12.52€). Demora cerca de 45 minutos.

Nusa Lembongan e Nusa Ceningag, é possível passar de uma para a outra através de uma ponte. Tem praias e uns spots bonitos e é tudo muito na onda do ”chill”.

Nusa Penida, a maior das três é também, na nossa opinião, a mais bonita.
Aconselhável alugar uma mota e percorrer a ilha (entre 60.000Rp e 80.000Rp – 3.76€/5€).
Tem sítios lindos, com pouca gente. Desde praias completamente paradisíacas, a piscinas naturais, campos de arroz, montanhas e vales.
Uma actividade recorrente é o snorkeling para ver mantas. Um animal majestoso e com um ar muito simpático. Tivemos sorte de ver uma, mas foi o pior snorkeling da história, devido às toneladas de lixo que deram à costa nesse dia e que flutuavam no mar.
Mesmo a recolher lixo na água e na praia, sentimo-nos completamente impotentes e frustrados. Uma experiência que podia ter sido maravilhosa, foi completamente arruinada.
Se virem que o mar está limpo, não deixem de fazer.

Passámos nestas três pequenas os nossos últimos cinco dias, e oxalá tivéssemos tido mais.

Ungasan – o lugar onde ficámos alojados os dois meses. Fica bem no centro da península que compõem Bali e também a zona que conhecemos melhor.
O trânsito em algumas partes pode ser caótico, especialmente porque a maioria das estradas está em obras.
Se procuram alojamento e refeições baratas é fugir da zonas de praia, por isso o centro é mesmo onde estão as coisas mais económicas.

Dá esquerda para a direita algumas das praias:
(os valores são dos estacionamentos. Paga-se para estacionar em todo o lado em Bali e apesar de serem valores irrisórios é uma chatice)

Nusas Dua: bom para dar um passeio. Para chegar passa-se por uma zona de resorts. Tem 3 praias, uma delas boa para surfar. (3.000Rp)

Pantai: lugar muito turístico, muito caro. Com deuses numas grutas feitas pelo homem e a praia não é nada de especial. (30.000Rp)

Melasti Beach: (12.000Rp)

Melasti Cliff: Entre a Melasti e a Karma, há uma falésia onde a malta faz parapente, é um sitio muito agradável para ver o pôr do sol.

Green Bowl: tem muitas escadas, quase donos todas as praias deste lado. Possivelmente irão cruzar-se com muitos primatas. Quando a maré está alta não tem quase areal. Gratuita.

Karma beach: para lá chegar, parece a entrada para um resort mas não é. Tem 450 escadas (nós contamos), e a praia e água é muito limpa. Como tem tantos degraus podem ter sorte e ter uma praia privada. (3000Rp)

Dreamland: praia carregada de gente, talvez porque tem poucas escadas. Sai-se da estrada principal e é preciso conduzir 5 minutos pelo meio de um complexo de hotéis e condomínios. Quando fomos estava carregada de lixo. (2000Rp)

Nyang Nyang: uma das nossas praias favoritas. Não se paga estacionamento, é gigante, tem uma zona relvada ao fundo, a água é limpa, dá para surfar. Mas é uma estafa para lá chegar. Não são escadas é um caminho de brita e pedras com uma descida/subida suficiente íngreme para “bufar”. Levar água.

Uluwatu:
Antes do estacionamento para a praia, do lado esquerdo há um edifício abandonado muito porreiro para ver a zona onde a malta surfa e o pôr do sol. Tem ao lado um pequeno templo.
A praia é minúscula, entre uma gruta, mas não deixa de ser bonito. Esta zona é a melhor para surfar segundo o especialista da casa. Por baixo é coral e às vezes passam por lá uns tubarões, inofensivos até á data.
Quem quiser ficar cá em cima a ver os surfistas e a observar a paisagem, há uma série de bares com preços variáveis. É também aqui que ficam alguns Clubs famosos.
(3.000Rp)

Jimbaran: zona de hotéis. As praias não são nada de especial, comparado com as de cima mas não têm escadarias infinitas. Para os mais preguiçosos pode ser uma boa opção. (2.000Rp).

 

Nota 1: em muitas actividades e locais, comparados os preços com outros locais do Sudeste Asiático, os valores estão inflacionados. É destino da moda e os habitantes sabem disso.

Nota 2: Três pessoas que conheci, excluindo-me a mim própria, tiveram problemas com bactérias, parasitas, fungos e afins. Todo o cuidado é pouco.

Nota 3: Há dias onde as praias são completos paraísos, e há dias onde a maré trás todo o tipo de porcarias e são toneladas de resíduos ali à beira. Façam a vossa parte, reduzindo e talvez apanhando um pedaço ou dez.

Nota 4: Os caminhos podem ser muito confusos entre ruas e ruelas. Já aqui mencionámos o maps.me, uma aplicação que podem usar offline.

Esperemos ter ajudado, numa visita futura a este pedacinho de paraíso massificado na terra.

Alguma coisa digam.

Com amor,

Marta & Bag

Ao som de Portishead – Roads

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