Apresentamos-vos Singapura,
Uma das únicas três cidades estado do mundo, que foi uma gigantesca surpresa.
Entre 1963 e 1965 pertenceu à Malásia, pondo fim ao domino britânico, mas a coisa não correram bem e decidiu tornar-se independente.
Cresceu, desenvolveu-se, e é actualmente uma potência gigante, base de muitas empresas, de um porto de mercadorias enorme, excelentes escolas e universidades e muita inovação tecnológica.

São 5.000 milhões de habitantes, onde 70% da população é chinesa, 10% indiana, e os restantes singaporenses, malaios, indonésios…
Deste modo, há quatro línguas oficiais facilitando a comunicação/informação para todos.

A diferença dos restantes lugares por onde andámos é notória em tudo. Desde a limpeza, á organização, a tudo, tudo, tudo.
Não é por nada, que em apenas 20 anos passou de um “país” de terceiro mundo para o topo da lista de países mais desenvolvidos.

No entanto, nem tudo é assim tão á frente e há umas quantas leis super retrógradas.
A homossexualidade é punida – apenas para homens, há penas onde as chicotadas e o sermão público fazem parte do castigo e a pena de morte é aplica em casos de homicídios e tráfico de drogas.
Umas quantas leis um pouco estranhas, como a proibição de venda de pastilhas, consumo de pornografia, multa para quem deixar água nos pratinhos das flores por causa de profileração de mosquitos, multa para quem alimenta pombos, rouba Wi-Fi ao vizinho e outras.
E algumas leis e medidas bastante interessantes, como as penas severas contar a corrupção levando à extinção desta “doença”, desde há muito tempo atrás.
Talvez seja este o principal motivo para o desenvolvimento desenfreado, e não a estagnação deste pedaço de terra e quem sabe se aplicado com afinco, a solução da maior parte dos nossos males, por esse mundo fora.

Singapura tem o título de melhor em várias coisas.
É o aeroporto, companhia aérea com o mesmo nome, rede de transportes, ensino e por aí fora.
Sendo boa em tanta coisa, está também no topo dos lugares mais caros do mundo para se viver.
No entanto, para se visitar, não tanto como esperámos, e é possível viajar com low budget.

O que faz esta cidade ser tão cara, são os valores absurdos de casas, rendas e transporte próprio.
Um singelo apartamento, custa para lá de meio milhão. Uma renda ultrapassa os 1000€.
Um automóvel pode custar até, três vezes mais do que o normal e só tem licença de circulação para dez anos.

Apesar da imensidão de gente, a primeira coisa que reparámos foi no reduzido tráfego e na fluidez do mesmo. O preço excessivo de transporte próprio, a brutal rede de transportes que levou alguns anos a ser desenvolvida e preza pela preservação do ambiente e qualidade de vida dos habitantes, leva a que estes não tenham necessidade/poder de comprar um carro.

 

É indiscutivelmente, lugar que alberga muita gente, mas nunca tivemos a sensação de caos ou de nos sentirmos rodeados por uma selva de betão.
Os espaços verdes fazem parte da casa, e são preservados de modo a que haja um equilíbrio entre habitações e a natureza.
Os próximos cem anos de construção, devido à limitação de espaço e crescimento gradual, estão planeados ao milímetro.
Está repleta de parques, lagos, árvores, árvores e mais árvores.
Há prédios com jardins nos topos, plantas em todos os lugares, bem cuidadas, bonitas e que levam a que por estas bandas tudo seja um passeio agradável.
Para amantes de arquitectura será um paraíso. É fácil passar de prédios gigantes e loucos para casinhas pequenas e bairros locais, num contraste mesmo giro.

Durante os nossos passeios, podemos visitar e absorver muita coisa a custo zero. Depois de sairmos de países onde se paga mesmo para tudo, foi uma lufada de ar fresco.
Conseguimos assistir a um concerto de piano, entrar num museu e visitar um dos jardins mais famosos do mundo sem gastar um cêntimo.

A little India e a Chinatown são dois dos lugares contrastantes onde vale a pena deambular. E é aqui, onde os preços da comida, de roupa, tecnologia, chinesices é super acessível.
Na mesma rua é possível ver um templo chinês, um hindu e uma mesquita, passarmos por uma universidade e por empresas de renome mundial.
Trajes típicos, gente engravatada, ou uma mistura engraçada entre os dois.

Foi bonito assistir a esta paz e a esta mescla, no meio de infraestruturas tão loucas e um ambiente tão tecnológico, inovador e cultural, ao mesmo tempo.

A nossa estadia foi assim curta, porém intensa.
Apenas dois dias completos, onde caminhámos que nem loucos, porque não há melhor forma de ver um lugar, se não perdermos-nos nas suas ruas.
Passámos de calor abrasivo para chuva torrencial, experimentámos comida chinesa, indiana… Partilhámos casa com o Fahad, um indiano que trabalha com robots e coisas que não percebemos, e que nos recebeu como amigos.

 

Ao final da segunda tarde, deitados no chão, assistimos ao espectáculo de luzes e sons num dos jardins mais famosos e, talvez bonitos do mundo.

Noite quente, de mãos dadas, rodeados de dezenas de pessoas, sentimo-nos uns sortudos por estar ali a viver aquilo, ao mesmo tempo em que pensámos:

Que mundo louco é este onde vivemos, que passámos de lugares onde a água potável não é acessível a todos, para ver árvores dançantes, num piscar de olhos?

Não tínhamos expectativas e estivemos para “riscar” da lista por ser um lugar “caro”. No entanto, “ficava já ali ao lado”, e com a pressão de ter obrigatóriamente um voo de saída da Indonésia, não houve tempo para hesitações.

Decisão feliz a de te ter posto os olhos em cima, Singapura .

 

Dicas e valores:

1. Dormida

O preço mínimo para uma cama individual num hostel é de 8 $ (5.26€), não muito a cima da média do que temos pago para dois. No entanto, verificámos pelos comentários, que os bed bugs andam á solta também em Singapura, e os hosteis onde não apareciam comentários a mencionar estas criaturas já iam em 15€ para cada um.
Conseguir um couchsurfing é uma boa forma de poupar em alojamento, de nos livramos destes demónios e de ter uma experiência mais “local”.
Tivemos sorte ainda do Fahad ter casa na linha de metro do centro, e de ser um porreiro.

Se quiserem fazer Couchsurfing por lá, é importante enviar pedidos com alguma (muita) antecedência. É um lugar com muitos hosts, mas também muito concorrido pelos motivos a cima.

2. Alimentação

Um pequeno almoço pode ficar tão caro como um almoço ou jantar. Porquê? Porque não é hábito em nenhum destes países comer torradas com manteiga e um café. As pessoas comem pratos normais às 6 da manhã ou a que horas for.
Vai um caril pela manhã?

No 7eleven conseguimos croissants e café por 2.80$ (1.84€), mas no geral é tudo muito caro.
No dia seguinte pagámos, 3.5$ (2.38€) pelo pequeno-almoço típico de Singapura, que devem provar.
Dois ovos mal cozidos que vêm num pote com água a ferver, esperamos 10 minutos, e depois de abertos ficam com um aspecto de “nhaca”. Tempera-se com molho de soja e pimenta e acompanha-se com torradas com manteiga e coco. Muito estranho, aspecto duvidoso, no entanto muito bom.

Centenas de opções de comida barata e deliciosa por essas ruas fora nos chamados “food corners”, desde indiano, chinês, japonês e comida mais ocidental.
Conseguimos refeições por 2$ (1.30€), mas o preço médio são os 5/6$ (3/4€).
– No Camboja, um dos países mais pobres onde estivemos era difícil comer por menos de 3€. Discrepâncias absurdas.

Não é comum os habitantes de Singapura cozinharem. O preço da comida de “rua” é acessível, e a maioria das casas nem sequer tem cozinha.

Água 0.50l no supermercado custa 2.5$. Num food corner chinês 1$.
Ter uma garrafa para reencher é uma boa opção para poupar dinheiro e o ambiente.

Uma imperial, ou um café num lugar “fancy” pode custar 6$ (3.95€).
Os preços do Starbucks começam nos 10$ (6.58€).

3. Transportes

A rede de transportes é brutal. Se virem o mapa chega a todos os cantos da ilha de Singapura.
No centro andámos sempre a pé, e apenas usamos o metro e autocarro para ir e voltar da casa do Fahad e para chegar à fronteira com a Malásia.

O valor mais alto cobrado por uma viagem é de 2.5$ (1.64€) e este pode ter ligação a um autocarro, não pagando mais por isso.
Cartão de metro custa 12$ (7.90€) dos quais 7$ (4.60€) são “consumíveis”.
O mínimo nos carregamentos seguintes é de 10$ (6.58€).

Tivemos sorte do Paulo, um dos nossos colegas de Workway em Bali nos ter dado dois cartões ainda com 5$ (3.30€) cada, mas ainda assim precisámos de carregar os nossos, sobrando dinheiro.

4. Geral

Há Wi-fi em muitas estações de metro e nas ruas;

A Galeria Nacional é gratuita e recomendamos a visita. Tem maquetes interactivas e muitas informações á cerca da construção e do planeamento de Singapura. É incrível como está tudo definido para os próximos 100 anos;

O jardim, Garden by the Bay é um lugar muito agradável onde não há só árvores mecânicas, é um sitio agradável para passar um bom bocado. A maior parte da área do parque é gratuita.
Todos os dias às 19.30h e 20.30h (se não estamos em erro), há o espectáculo de luzes e sons. Imperdível!

Para comprar “recuerdos” é passar pela Chinatown, onde, como de costume há tudo e mais alguma coisa aos preços normais, e nada inflacionados por estarmos numa das cidades mais caras do mundo.

Fiz, finalmente, as sobrancelhas à linha, num SPA na Little India por 5$ (3.30€). Em Portugal custa 10€.

– Num país onde o ordenando mínimo ultrapassa os 2500$ (1646€), apesar de rendas altas, acreditamos que os habitantes têm qualidade de vida, e que nós vivemos mesmo num país super inflacionado.

Com amor,

Marta & Bag

6 de Abril de 2019

Ao som de Gary Clark Jr. – Bright lights

One Reply to “Singapura, a surpresa”

  1. Tão bem contado e descrito que me deu logo vontade de SPTI.
    Gostei de toda essa mistura de gente e religiões viverem em sintonia.
    Evita os bugs e filhos deles 🙂
    Beijo ao 2 lindos

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