O calor continuava abrasador e nem estando mais a norte ajudava.
De Malaca seguimos junto à costa, até uma cidade conhecida pela street art e boa comida. Nestes pontos não desiludiu.
George Town é um pontinho na ilha de Penang que tem ligação por uma ponte ao território terrestre da Malásia.
Para além dos graffitis, as instalações interativas, e um ou outro templo e mesquita não podemos dizer que é a cidade mais interessante que vimos.
Malaca pareceu-nos bastante similar, com a particularidade de ter um rio e muita herança portuguesa.
Aqui também há uma Chinatown, e todos os dias comida de rua deliciosa a preços simpáticos.
Chineses vão dominar o mundo, parte 3654.

Num dos dias por lá, seguimos até ao outro lado da ilha onde há praias e um pequeno parque nacional.
Os autocarros estão em excelentes condições, e é mesmo simples mover-nos cá.
Mal chegámos à entrada do parque, havia gente a informar das opções de percursos, dos barcos, dos guias. Nunca nos impingiram nada. Tem sido assim por cá e é uma surpresa deste lado do mundo. Deixa-nos tão felizes podermos fazer coisas pelo nosso próprio pé, sem ter de pagar ou andar com um “guia” atrelado. Em todos os países que tivemos, isto era cobrado, de certeza.
Fizemos uma hora e meia de caminhada entre floresta e muitas criaturas curiosas. Malásia tem um dos mais completos ecossistemas do mundo, com mais de 15000 espécies de plantas, 200 de mamíferos e 600 aves.
Ali, demos de caras com macacos, que estamos fartos de ver ao pontapé e com os quais é preciso ter cuidado, e lagartos (os maiores até agora) a nadar no mar. Rapidamente, percebemos o motivo de nestas praias não ser permitido ir a banhos.
Apesar de não ser um percurso difícil, o calor e humidade não estavam lá para facilitar as coisas.
No final, mesmo a chegar a uma das praias, bastante bonita por sinal, levámos com um carga de água sobre as cabeças, só para não nos queixarmos mais do calor. É sempre assim, está sol de derreter pedra e a seguir água que transforma o lugar mais seco num rio a transbordar.

Nesta praia havia um centro de preservação de tartarugas, e foi interessante observar o processo de protecção das mesmas e alguns exemplares. As mamãs tartarugas metem os ovos e depois as pequenas que se amanhem. Estima-se que em mil, apenas duas tartarugas chegam à idade adulta.

O calor estava a rebentar com o nosso cérebro, e tirando de manhãzinha cedo e final do dia, era impossível fazer alguma coisa.
Era tempo de fugir para as montanhas e assim Cameron Highlands foi a nossa penúltima paragem na Malásia.

É uma vila pequena, que apesar de não ter nada de interessante para ver, é gira porque as construções das casas fazem-nos lembrar os challets das montanhas, tal e qual conhecemos dos filmes. Esta zona é conhecida pelos seus percursos pedestres entre floresta, pinhal, campos infinitos de chá e foi isso que fomos para lá fazer.

Em toda a envolvente deste distrito há uma grande concentração de todo o tipo de cultivo, estufas, chá, e tudo o que é comestível no país, por este motivo há centenas de carrinhas de caixa aberta (maioritariamente Land Rover) e consequentemente boleias fáceis.
Por vezes, do centro da cidade para o início de um percurso eram mais de 12 quilómetros.
Entre esticar o dedo e saltar para cima de uma carrinha nem chegavam a passar 5 minutos. Bem que gostamos de caminhar mas também não abusem.

Os campos de chá são dos mais bonitos que vimos até agora, pela sua imensidão. Foram plantados pelos ingleses nos tempos da colonização e mantém-se até aos dias de hoje, sendo um trabalho precário mas fonte de rendimento para muita gente.

Pelo facto de andarmos a pé, tivemos sorte de ver de perto como colhem, transportam e cultivam.
Aprendemos que o chá verde, preto, branco, amarelo, e outros provêm da mesma planta – Camellia Sinensis – a diferença do sabor e das características está na forma como a folha é cuidada e secada.

De facto, por lá estava bem mais fresco e contrariamente a tudo aquilo que somos e dizemos gostar, soube bem poder dormir com uma mantinha nas pernas.
Nos três dias seguintes, percorremos mais de 10 dolorosos quilómetros diariamente. Provavelmente, quando visitamos cidades caminhamos mais, muito mais, aqui com a desvantagem que era sempre a subir ou sempre a descer, o que nos deixou com as perninhas num oito.
No último dia, rebentados, consegui convencer o Bag a fazer uma massagem aos pés e pernas.
Nos grandes centros o que não falta são massagistas, aqui havia apenas dois e estavam cheios de locais.
Ficámos surpresos, mas parece que ao fim de semana é comum as famílias passarem algum tempo de qualidade em lugares destes. Estamos a falar de massagens por 5€. Se eu tivesse disto em Portugal, com certeza seria o meu programa para sábados, segundas, quintas…
Não há nada na vida como uma massagem, e depois de tantos quilómetros de subidas, foi a recompensa merecida.

 

Mochila às costas seguimos até KL. Deixámos a capital para o fim, porque o nosso voo seguiu de lá.

Kuala Lumpur é rainha do consumismo, por momentos pensámos que estávamos numa cidade da Europa.
Os salários na Malásia são mais elevados comparando com todos os países por onde passámos (à excepção de Singapura), sendo o salário mínimo de cerca de 400€, e o médio 600€.
O preço de uma refeição num tasco fica a cerca de 2/3€, e aqui dá para perceber que há qualidade de vida, e poder de compra.
Há shoppings gigantescos em todos os cantos e estão sempre apinhados. Os preços de marcas como a Apple, H&M em nada diferem dos nossos, e a malta anda sempre munida de altas marcas. Óbvio que há pobreza e miséria, mas na nossa passagem pela Malásia não demos conta de assim tanta, nem mesmo nos subúrbios das cidades.

Kuala Lumpur é casa de mais de 2 milhões de pessoas e de uma diversidade gigantesca, como nos habituou o país. Também é cenário de prédios gigantes, como grande metrópole que se preze. Tem um sistema de transportes brutais que não fica, em nada, atrás da vizinha Singapura.
As famosas Petronas, construídas em 1998, com 452 metros de altitude, continuam no top 10 de edifícios mais altos do mundo e são de facto bastante fotogénicas. Ficaram ainda mais famosas porque em 1999, foram palco do filme “Armadilha “, (Entrapment). Quem nunca viu este filme num Domingo à tarde, que atire a primeira pedra.

O mais bonito destes dias na capital foram os reencontros que tivemos.
Voltámos a estar com o Matteo, um italiano que conhecemos num autocarro em Laos e com quem partilhámos quarto, cinco meses antes. Comprou uma bicicleta e fez mais de 3700 quilómetros até a esta cidade.
Passámos no total dois dias completos juntos antes disto, e o reencontro e horas de conversa que se desenrolaram, fazem-nos reforçar a ideia que amizades criadas em contexto de viagem, têm um poder muito grande.

Para acabar mesmo em grande, deixámos a visita às Batu Caves, símbolo Hindu na capital, com o conterrâneo e amigo que está a iniciar a sua viagem por estas bandas, o Jomi.

Ele fez um grande desvio para estar connosco e não temos como agradecer-lhe por isso.
Foram dois dias de muita conversa, boa comida, passeio e animação, não tivéssemos nós alugado um quarto na casa de um Malaio maluco. Histórias.

Seguimos de coração cheio para o nosso novo destino…

Com amor,

Marta & Bag

2 de Maio de 2019
Ao som de REM – Shiny happy people

One Reply to “Da street art, aos campos de chá e reencontros”

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