Um pequeno resumo de números, contas e cenas.Observações, dicas e coisas que não interessam a uns e podem ser fulcrais para outros.

28 dias
27 noites
5 cidades
8 sítios onde dormimos. 3 privados contra 5 dormitórios.

1 Workway

Total de deslocações: 11
Quilómetros percorridos: 1090 (uma média)
Boleias: 2

Partilhámos 12 dias com amigos (é muito diferente de viajarmos sozinhos mas correu tudo muito bem porque nos conhecemos à bastante tempo).

O que mais gostámos: sorrisos.
E de uma história engraçada que tivemos à chegada de Kampot, onde fomos convidados a comer e beber com os locais que estavam naquilo que nos parecia um casamento, mas com ajuda do Google tradutor afinal era uma inauguração. Leitão (a Marta não gosta), e muita cerveja para bel’prazer do Bagagem e do Taró, servida em copo com um grande pedaço de gelo a boiar. Não precisamos de dizer que acabámos com uma meia/inteira bebedeira à borla. Os brindes não conseguimos contabilizar, e o que os locais queriam era mesmo partilhar um bocadinho connosco. A música era péssima mas ainda deu para a Marta dar um pézinho.

O que menos gostámos: muito lixo, sujidade. Lixeiras a céu aberto. Zero cuidado e preocupação ambiental.

Sítio preferido: os Templos de Angkor Thom são sem dúvida o marco e ponto alto do país, mas adorámos Koh Rong com as suas praias paradisíacas e Kampot, por ser um lugarzinho tão diferente e especial.

Meteorologia geral: Época das chuvas, mas tivemos sorte. Apanhámos chuvas torrenciais mas estávamos em Workway por isso não tínhamos de nos deslocar. Vimos tempestades e relâmpagos lindos enquanto estávamos na ilha e pores do sol atrás da Bokor Mountain daqueles de pintura de quadros. Sempre calor.

Comida: menos diversificada, mas mais carne que na Tailândia. Há montes de peixe e marisco à venda nos mercados mas nos restaurantes quando o confeccionam é em pedaços invisíveis nos pratos.
Menos picante, mas muito mais agridoce.
Uso descontrolado de pimenta preta.
Menos sumos de fruta.
No supermercado tudo muito caro, em contrapartidas o álcool e tabaco baratíssimo.
Há muitos restaurantes com comida ocidental, mas também muito mais cara.
Provámos cobra frita e, para além de não saber a nada de especial, tinha muitas espinhas.
Apesar de o preço médio gasto por noite ter sido inferior à Tailândia, não chegando a 3€ (por noite, por pessoa), as refeições, mercearias e umas cervejas que bebemos – estávamos com amigos, foram uma fatia bastante considerável do nosso orçamento.

Os transportes são maus e caros (comparando com uma Tailândia bem dotada de todo o tipo de transportes e a preços mais acessíveis). As estradas? Ui! Complicado.

Crianças a pedir, a vender, já tínhamos mencionado esta realidade. Dói mas acontece um pouco por todo o país – o nosso pedido é que façam o que a vossa consciência vos dizer, mas dando dinheiro estão a compactuar com a continuidade.
Por outro lado, os miúdos quando estão em meios mais pequenos apenas querem olhar, tocar, subir para o colo. É impressionante como todos dizem alguma coisa em inglês. “Hello! Hello!”

A higiene, ou falta dela é visível em todo o lado.
Nas casas de banho, em muitos lugares é utilizado o baldinho para por água na sanita.
Atenção! Os ratos vão dominar o mundo.

Tudo é negócio. Estacionar a moto é pago, mesmo em locais remotos. É comum verem no estrangeiro uma oportunidade de fazer dinheiro e muitas vezes é aborrecido sermos abordados em 5 minutos por mais de 10 pessoas a vender e oferecer os mais variados serviços.

Toda a gente tem um bom telemóvel. Podem estar no meio de nenhures e até não ter um sitio para comer mas vão encontrar com certeza uma banca a vender telemóveis. Há vilas onde a cada 50 metros há uma loja.

As pessoas dormem em todo e qualquer lugar, por isso não é de admirar que tenham de acordar a malta quando entram no seu estabelecimento comercial.

Não vos falamos do Karaoke?! Ainda não? Como? Bem, é cultural. Uma coluna, um microfone e o YouTube a bombar. Em casa, no trabalho, em todo o lado. Fazem-no por puro prazer e a Marta como artista que pensa ser, de uma das vezes pôs um Toni Carreira (nunca pensei mencionar o Toni aqui na página) e lá cantou e encantou. (Que mentira!)

Não é nada estranho que num mini mercado do tamanho do “Dora” hajam 10 funcionários a atropelarem-se uns aos outros.
Nos negócios familiares é normal ver toda uma família a ajudar na loja, banca de rua, ou o que quer que seja.
A maior parte do dia estão à conversa, telemóvel, e óbvio com as suas camas de rede esticadas em qualquer lugar.
Se em Portugal assim fosse, a taxa de desemprego estaria muito mais baixa, uma pessoa não trabalharia por três, e a venda de ansiolíticos caia a pique. Ou então nada disto e somos um povo que gosta de dar ao chinelo.

Chinelo? Sim. No singular. O resíduo mais encontrado ou perdido por essas ruas do Camboja fora. Não conseguimos perceber como nem porquê, mas a malta simplesmente perde um dos chinelos e ele lá fica em alcatrão, cimento, terra batida abandonado à sua sorte.

É muito comum ver mulheres a trabalhar na construção civil.
Também é normal em todo e qualquer serviço as crianças estarem com a mãe no local de trabalho, seja uma agência de tours, aluguer de motos ou restaurante. Muitas vezes a brincar no chão, outras dentro de caixas de cartão e com o irmão mais velho a dar uma olhada.

Os locais tem pele escura e as mulheres vestem-se muito para tentar não bronzear. Se para nós, ocidentais o bronze é sinal de riqueza – ir de férias, à praia – para eles é sinal de pobreza, pois pele mais morena significa trabalhar no campo. Às vezes parece-nos impossível como com tanto calor andam de luvas, casaco, máscara e chapéu.
Muitas mulheres usam base branca e marcam muito as sobrancelhas com lápis.
Máscara (tipo médico, ou da pulveriza) utilizada por grande parte das pessoas e percebe-se a utilidade. O pó, fumo e poluição em alguns lugares é assustador.

Os fins de semana não existem, ou não existem para todos, pois muitas vezes vimos gente a trabalhar ao sábado e domingo. O calendário budista não é igual ao nosso, mas temos reparado que quando há calendários fixados nas paredes estão em 2018.

Aplicações de telemóvel que podem ser úteis no Camboja:
Camboticket – para comprar bilhetes de autocarro, mini van, barco… Metam sempre umas horas a mais no trajecto que seleccionam. E directo nunca quer dizer directo. Outra coisa importante, saem muitas vezes antes da hora do bilhete. Quem está está, quem não está estivesse. Não há explicação e correu sempre bem connosco porque estávamos nos locais mais de meia hora antes.

Pass App – aplicação para chamar tuc-tuc. É o Uber lá do sítio. Só usamos uma vez porque chovia torrencialmente e, ao invés de pagarmos os 6$ que já tínhamos perguntado para saber, pagámos 1$.

Negociar é a palavra de ordem. Em tudo. É triste perceber que apesar de ser um país barato, nunca vamos conseguir perceber os preços reais das coisas em mercados, feiras e afins porque para nós é e será sempre inflacionado.

Em suma, para nós o Camboja foi um lugar que nos marcou pela diferença, pela pobreza, pelo passado recente que teve e que continua tão presente no modo de vida da população. É um país corrupto e também há o lado super mega rico e chique e de esbanjar tudo e mais alguma coisa.

Também nos surpreendeu o facto de tanto estrangeiro a viver e a implementar negócios lá (muito se deve à facilidade burocrática).
Tem sítios magníficos mas na sua globalidade não é o paraíso.

No segundo mês de viagem podemos dizer que enriquecemos muito com as experiências vividas neste país que merecia bem melhor.

Até um dia Camboja.

Com amor,
Marta & Bag

Ao som de Neil Young – Heart of gold

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