Têm sido muitos os amigos a perguntar como encontramos lugares para trabalhar em troca de dormida e alojamento, e quantas vezes o temos feito e planeamos fazer ao longo da viagem.

A curiosidade sobre o couchsurfing também é grande e queremos desenvolver umas linhas sobre a nossa experiência e incentivar-vos a fazê-lo, tanto noutros locais, como a receber pessoas em vossa casa.

Uma ligeira apresentação: a plataforma que usamos é o Workaway, por palavras do Wikipédia, “é um serviço de hospitalidade internacional que permite que os membros entrem em contato entre si, para organizar homestays e intercâmbio cultural”.

Trocado por miúdos, é um site onde se podem encontrar desde quintas, a hosteis, a famílias que querem aulas para os filhos, organizações sem fins lucrativos, cuidados de animais, trabalhos de marketing, design, construção, bio construção, etc.

É um tipo de experiência colaborativa, onde nós damos o nosso tempo, algum skill específico, suor, ideias e nos dão em troca cama, comida, ou ambas. Também é uma forma de prolongar viagens a um preço low cost.

No nosso perfil temos uma breve descrição, fotos e informações de trabalhos que podemos fazer. A página dá opções que podem seleccionar, como por exemplo: fotografia, jardinagem, cozinha, entre tantas outras coisas.

Para procurar por um local é bastante simples: basta seleccionar o destino e terão mais opções ao redor do mundo do que as que possam imaginar (há montes em Portugal também).

Nos quatro países onde estivemos até ao momento – Tailândia, Camboja, Vietname, Laos – há dezenas de opções, nos mais diversos trabalhos.

A desmotivação e o facto de não fazermos tanto como pretendíamos, prende-se com a oferta, da maioria dos lugares, ser de estadia mínima de um mês e tantos outros exigirem pagamento de 4€ diários/pessoa para alimentação, mesmo variando o trabalho entre as 4 e 5 horas diárias.

Esta é a nossa experiência, no ano de 2018 no Sudeste Asiático. Bem, é também de alguns viajantes com quem trocámos ideias, nestes mesmos países, sempre com o intuito de perceber se nós é que temos ar de escravos ou se lhes pediam dinheiro. É mal geral.

Por outro lado, temos os nossos conterrâneos Twopackers (Ju e Maikel), que em 9 meses de viagem já fizeram cerca de 8 voluntariados através desta plataforma (fora os outros), sempre com alojamento e comida gratuita.
Estamos, neste caso a falar de países como Índia, Sri Lanka, Irão e Turquia.
Estes meninos usam e abusam da página, perfazendo um total de 114 dias de workaway, numa viagem que já conta com 276 dias.

Mas e então, o que se passa?

Percebemos que consoante os países as coisas mudam um bocadinho.
A nossa teoria, sobre esta zona específica do globo é a seguinte:

Muitos “mochileiros” que valorizam estas experiências e consideram que mesmo pagando é barato, leva a que exista uma procura gigante. Não é por nada que o Sudeste Asiático é considerado o paraíso dos backpacker’s.
Os workaways podem, assim, com bastante facilidade, escolher pessoas com habilidades específicas e pedir dinheiro pela alimentação, sendo que a dormida é “gratuita” em troca de trabalho.

Nós não consideramos estes valores justos.
Para que tenham uma ideia (com o tipo de viagem estamos a fazer):

Preço médio por noite por pessoa – 4€ (a puxar para cima)

Refeições – 2€

Se trabalharmos 4/5 horas e pagarmos 4€ por dia, convenhamos que não poupamos muito com esta troca.

A experiência e aprendizagem têm uma cotação mais simbólica do que monetária, é um facto. E esta é também a divisa de muitos locais para nos fazer crer que somos apenas nós a ganhar com este intercâmbio.

Nossas experiências em workaway, ou falta delas, de uma forma muito sucinta:

Na Tailândia, numa quinta, trabalhamos como mouros, 4 a 5 horas por dia. Alojamento gratuito. Pagámos 4,40€ por pessoa, por dia. A comida era maravilhosa e tínhamos tudo à descrição. A família e o grupo de voluntários foi das melhores coisas que tivemos em viagem.
Sim, pagámos, foi a nossa primeira vez e como dizemos sempre, é preciso “pagar para ver” (no separador da Tailândia falamos mais sobre esta experiência).

Camboja, achado à última da hora. Futura guesthouse. Trabalho duro em pinturas e limpezas uns dias, noutros dias mais tranquilo. Tudo gratuito à excepção do almoço que ainda assim podiamos cozinhar usando coisas da casa.

Vietname, não fizemos. A maior parte dos workaways são para ensinar inglês. Entrámos em contacto com dois que não se pagavam, mas as repostas não foram positivas por já terem voluntários nas datas que queríamos.

Laos, muitas quintas. Estávamos entusiasmados. Pagas e com desvios gigantes ou em ilhas no rio que nos levariam a pagar mesmo muito pelas deslocações. Decidimos que não íamos voltar a pagar para trabalhar, tentámos negociar mas nada feito.

Outra questão importante é o planeamento antecipado: alguns lugares têm as vagas para voluntários cheias, ou podem não estar a aceitar no momento do pedido. É importante dar uma vista de olhos com algum tempo de antecedência.

 

Sobre o Couchsurfing:

Em três meses de viagem, fizemos três vezes Couchsurfing. Há países onde a plataforma ainda não está muito desenvolvida como Camboja e Laos, e há outros onde não é permitido alojar estrangeiros, como é o caso do Myanmar, o nosso próximo destino.

Até agora só temos coisas boas a dizer. No entanto, como na grande maioria das vezes não planeamos muito, enviamos os pedidos com poucos dias de antecedência e por isso as respostas são tardias ou ficamos sem elas.

É uma experiência que gostamos de ter, acima de tudo pelo convívio com os locais, porém é importante referir que há aqui uma necessidade de ser flexível e ter uma mente aberta, especialmente quando estamos em países culturalmente tão diferentes. As regras e os horários dos hosts levam-nos por vezes a repensar se devemos contactar alguém ou simplesmente reservar um hostel.

Exemplo, ficar duas noites nos subúrbios, o que se poupa em alojamento, gasta-se em transportes.
Estamos exaustos e queremos dormir mais, mas o host sai às 8 da manhã de casa e temos de sair com ele porque não há outra chave. Entre tantas outras coisas que podem acontecer.
Distância, disponibilidade, humor, são sempre hipóteses que nós temos em conta.

Também é importante contactar pessoas com referências, e ler todo o perfil para perceber se estão na mesma frequência e se temos alguma coisa em comum. É mais fácil criar empatia com pessoas com interesses e gostos em comum. Enviar mensagens personalizadas é importante para o sucesso na plataforma.

Nós optámos por usar estas duas plataformas em viagem, mas existem muitas outras. Basta procurar no amigo Google.
A maioria tem um custo associado e é possível ler/escrever o feedback, referências e cotações, o que nos leva a ganhar alguma confiança ou desconfiança com o local.

 

Em baixo, mencionamos várias para quem estiver interessado em explorar estas ferramentas:

Workaway – não há aplicação até ao momento e requer o pagamento de qualquer coisa como 40€ (fazemos pagamento em dólares – 45$ anuais) e dá para ter perfil conjunto. Ou seja, Marta & Bagagem e não apenas um de nós. Dá para deixar referências, mas as menos boas podem ser eliminadas (falha grave).

Helpx – funciona nos mesmos parâmetros do workaway.

Worldpackers – trabalhos em hosteis em troca de alojamento.

Trusted Housitters – cuidar da casa/animais enquanto o dono está ausente.

WWOF (World Wide Opportunities in Organic Farms) – trabalho em quintas orgânicas.

Couchsurfing – local para dormir sem custo associado.

Vamos dando noticias sobre este assunto, pois estamos a um passo de passar dois meses em Bali, Indonésia, a fazer trabalho de caseiros numa “Villa”. Neste caso, dão-nos dormida, sendo a alimentação por nossa conta. Temos cozinha e lavandaria e o trabalho são cerca de 3 horas diárias. Parece-nos justo.

Num futuro próximo, nesta e noutras viagens esperamos utilizar o workaway com mais sucesso, mas aqui pelo Sudeste Asiático parece que o verdadeiro sentido da palavra voluntariado está distorcido.

Obrigado Twopackers, pela partilha de informação.

Com amor,
Marta & Bag

10 de Dezembro de 2018

Ao som de Sean Riley & Slow riders – Night Owls

4 Replies to “Formas de viajar low-cost”

  1. Experiências boas e más faz parte da vossa aventura. Que as más sejam contornaveis e as boas inesquecíveis!
    Bali? Estou curiosa. De certeza que não é só aquele destino paradisíaco que está na moda e vocês vão-nos reportar os 2 mundos. Sim, pq há sempre o outro lado da coisa ?

  2. Temos mesmo muita pena que não tenham tido a mesma experiência que nós (acredito que nós também temos tido muita sorte!). Ainda têm muitas viagens pela frente e tenho a certeza que o desânimo vai desaparecer.. Fazem bem em partilhar as experiências não tão boas para o pessoal perceber que os países perfeitos para backpackers têm muitas falhas para os backpackers! Viajar não é só fotos.. Férias é que é so fotos..
    Melhores dias (países) para voluntariado virão

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