Como já é costume, aqui ficam em dados gerais do mês no país da comida boa.

27 dias
26 noites
1 Workaway
1 Couchsurfing
8 cidades
Poucos dormitórios, muitos quartos privados. O preço é acessível e para dois compensa.

A média por noite foi de 5,70€. Há alojamentos mais baratos, mas houve sítios onde devido à pouca oferta, os preços saíram inflacionados. Caso da Tioman Island, onde não arranjámos quarto a menos de 10€ por condições muito fraquinhas. Nos restantes lugares, nada a apontar.
A higiene surpreendeu, em relativa comparação com outros países do Sudeste Asiático. Se bem, que contra todas as expectativas, oito meses depois do início estamos mais exigentes. Talvez porque temos passado por algumas (bastantes) situações desagradáveis, devido a insectos e outras porcarias, e não nos importamos de pagar um bocadinho mais nesta altura do campeonato.

Fizemos cerca de 1700 quilómetros em longas distâncias.
Contrariamente a todos os outros países, nunca alugámos moto, por três motivos: o primeiro é o factor “não temos carta internacional” e aqui as coisas pareceram-nos mais sérias com a polícia. Segundo, há mais carros que motas a circular e já não tem aquele aspecto de tudo à balda como no restante Sudeste. E por fim, também não precisámos. Se bem que moto é uma liberdade total para visitar tudo e mais alguma coisa.
As redes de transportes são óptimas, e é muito fácil apanhar boleia, pois apesar das pessoas não serem tão extrovertidas e sorridentes como em outros lugares, são super prestáveis.

O que mais gostámos: o facto de não nos cobrarem para tudo e a diversidade animal.

O que menos gostámos: o facto das mulheres terem de usar hijab “obrigatoriamente, sem obrigação”. É uma característica que os distingue dos demais, mas repressão nunca é uma coisa boa.

Sítio preferido: Tioman Island. O lugar onde fizemos scuba diving.

Meteorologia geral: estupidamente quente e húmido. Fomos na época mais quente do ano e em certa parte foi doloroso.

Coisas que não vimos, que demos conta em outros países:
– não há tuc-tucs, só taxis; não há aquela coisa de cinco numa mota e tudo atolado no autocarro;
– não vimos mulheres locais com estrangeiros (muito comum na Tailândia, Camboja, Filipinas…);
– estrangeiros com negócios locais costumam ser às paletes, não vimos nenhum;
– também não demos conta de casais inter-raciais (a comunidade Chinesa e Hindu são uma grande fatia da população Malaia).
Não podemos esquecer que é o primeiro país que visitámos, onde a população é maioritariamente muçulmana e pode ter influência nestes vários aspectos.

Festejam-se três anos novos no país: o do nosso calendário, o muçulmano e chinês.

O inglês é língua falada por quase todos, as estações de autocarros são autênticos aeroportos, super organizados e com um shopping /mercado – dependendo da dimensão – dentro de cada uma.

Não há tentativa desesperada de vender ou enganar. As pessoas são sérias e não andam atrás de nós para impingir. Visitar miradouros, fazer trekkings, entrar em monumentos seria motivo de despesa noutros lugares. Há postos de turismo onde são dadas todas as informações para actividades sem cobrar (para nós foi uma cena incrível).

Não se paga visto para estadias até 30 dias.

Preços de supermercados/minimercados muito baratos. Talvez mais baratos que todos os outros e com ordenados a cima da média (dos outros países também).
São comuns os mercados e bancas de rua, onde se vende de tudo. Malásia, tem as mangas mais deliciosas de sempre. Comemos quilos delas.

Carne Halal (modo específico de preparação e morte de um animal), em quase todos os restaurantes, inclusive cadeias de fast food.
Cadeias de fast food como McDonald’s e KFC até na mais pequena cidade, com preços estupidamente baratos. Interessante que em quase todos que vimos só é servido frango frito.

O café é óptimo. Mas o Teh Tarik, um chá que normalmente é servido com leite condensado é delicioso, assim como o chá de gengibre ou lima.

1 euro = 4,70 Ring

Caixotes do lixo na rua são novidade para estes lados. Não vimos aquelas lixeiras a céu aberto e despojos à beira da estrada. Parece que há mais preocupação e cuidado neste aspecto.

O território da Malásia está disperso em duas partes. O território continental e uma secção da ilha de Bornéu, que é partilhada com a Indonésia e o pequeno estado de Brunei.

É um país com uma gigantesca diversidade ecológica, milhares de plantas e de animais. Tropeçar em lagartos, camaleões, peixes de todas as cores e feitios é o prato do dia aqui. No entanto, ao longo das nossas viagens de autocarro deparámo-nos com quilómetros de campos de palmeiras, fruto da desflorestação para a produção em massa do óleo de palma, que não deixa de ser uma paisagem diferente mas lhe retirou muita diversidade.

Quase não vimos cães. Talvez os tenham exportado todos para os países vizinhos, pois na Tailândia e Indonésia são aos pontapés. Em contrapartida, gatos até mais não.

Tunning não é crime e a Malásia é exemplo disso. Carros com cores e acessórios do mais foleiro que os nosso olhos viram.

Tendo os portugueses metido o bedelho, lá para o ano de 1511, para além de igrejas e do pastel de nata, há várias palavras herança nossa. Sapato, armário, ananás são algumas das que se mantêm no léxico malaio.
A língua malaia é muito similar à da Indonésia. Depois de dois meses em Bali, desta vez a não foi preciso aprender os básicos.

Tendo em conta, o que mencionámos antes, diríamos que é um país óptimo para se começar no Sudeste Asiático e fazer a coisa de forma gradual. Foi o nosso nono, e foi uma lufada de ar fresco, dando continuidade aos poucos dias em Singapura.

Na verdade não podemos dizer que tem as paisagens mais bonitas e o povo mais sorridente com o qual lidámos, mas surpreendeu muito pela positiva.
Tivemos sorte, de no meio de zero planos, todos eles terem sido espectaculares. Ter conhecido o Jackie, família e malta da quinta, o Sam que nos mostrou muito da cultura islâmica e nos tratou como família e ter reencontrado velhos e novos amigos no caminho foram cerejas no topo do bolo.

A frase que melhor traduz a nossa experiência na Malásia é, “quando não crias expectativas, não corres o risco de te desiludir”, e nunca vamos esquecer que marcou um dos pontos de viragem desta viagem.

Continuamos fortes, super bem alimentados – com a comida que ainda não sabemos definir mas que nos deliciou – , e mortinhos por conhecer o nosso próximo destino.

Terima Kasih Malásia.

Obrigado Malásia.

Com amor,

Marta & Bag

2 de Maio de 2019
Ao som de The Kills – Dna

2 Replies to “Breviário Malásia”

  1. Olá Marta, o vosso blogue é incrível! As fotografias são lindas, através delas (quase) conseguimos viver a experiência convosco! E os textos são muito fáceis de ler e repletos de informações pertinentes e curiosas, adorei conhecer um pouco da Malásia através deste teu texto e fiquei a salivar com as mangas!
    Boas viagens e até uma próxima!

  2. Temos uma opinião muito parecida, não fomos a Tioman, mas às Pherentian e também foi dos lugares que mais gostamos no país. Na altura ficamos até surpreendidos por ser em alguns sítios tão desenvolvido. É como vocês dizem, um bom sítio para começar 😁👌👍😘

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