2 de Maio – Aeroporto Colombo

Estamos neste momento, a uma hora de aterrar e apesar de tudo o que tem passado, acreditamos que o medo não pode vencer.
O avião está cheio de estrangeiros, e isso transmite-nos mais segurança.
Não somos os únicos a achar que a solução é ficar em casa e cancelar tudo. A minha mãe e a avó, pensam que estamos a caminho da Índia*, só não as quero preocupar.
Caramba, também já passaram duas semanas. Acreditamos que a apesar de ainda ser fresco, mais nada vai acontecer. Ainda assim, pelo sim, pelo não, vamos comprar um cartão SIM para estarmos sempre contactáveis e vou instalar uma aplicação manhosa para o meu irmão seguir os nossos passos por GPS.

Chegámos à noite, já tarde. Supostamente há recolher obrigatório. Vimos muita gente na rua na zona do aeroporto, especialmente militares e polícia.
Saímos a pé sem revista nenhuma, tudo numa boa. A malta é prestável e sorridente. Os taxistas são chatos, estamos na Ásia não nos podemos esquecer.
Reservámos um quarto a três quilómetros do aeroporto, normalmente faríamos isso a pé, mas dadas as circunstâncias vamos de tuc-tuc. O motorista pede-nos dois euros, negociamos para um euro e vamos, com o coração a palpitar mais forte, admito. Sente-se alguma tensão, se bem que isso nem é medível. Somos só nós e as mil coisas que ouvimos.
O aeroporto está afastado uns 40 quilómetros do centro da cidade e da zona das explosões, isto está minado de polícia, não vai nada acontecer.

Recebemos hoje resposta do rapaz da quinta, com quem temos trocado mensagens nas últimas semanas, a dizer que afinal não tem espaço para nos receber. Vamos tentar arranjar outra coisa ou então só mesmo viajar. Se bem que, um Workaway dava jeito nesta altura para equilibrar os números.

*Desculpem mãe e vó, mas foram mentiras necessárias para o bem de todos.

3 de Maio – Colombo para Dambulla

Acordámos, pegámos num tuc-tuc para nos levar para a estação de bus. Primeiro contacto diurno com tudo, as cores, os cheiros, o ambiente, as pessoas. Mais tuc-tuc que carros, motas e bicicletas juntos. Sistemas de som de fazer inveja a qualquer gajo tunning por esse mundo. Muitos sorrisos, não há ninguém que não diga bom dia ou sorria.
De facto, parece mesmo que estamos no meio de terroristas.

Enquanto esperávamos pelo autocarro, dois malucos metem conversa connosco. O costume, eu atraiu esta malta toda. Entrámos no autocarro para Kandy, está à pinha mas ainda arranjamos uns lugares sentados. Aqui começa a exibição de deficiências físicas dos que lá fora tinham estado a falar connosco numa boa. Até o tom de voz muda. No meio de espaço nenhum, ainda passam e recolhem o dinheiro que mais de metade dos utilizadores do autocarro lhes dão.
Impressionante.
É o nosso primeiro dia, tínhamos feito “amizade” do lado de fora, e sentimo-nos pressionados. Damos uma nota de 50, são uns 0.25€, fazemos fisgas para que não levem a mal.

A viagem é uma loucura. Já tínhamos temido pela vida em autocarros, mas nunca como aqui. Acelerador a fundo. Não cabe nem mais um, ai espera, ainda cabe.
Um autocarro normal em Portugal tem 2 + 2 assentos, aqui são 2 + 3 e no meio, tipo sandes mista, ainda cabem mais três. A música é aos altos berros, tudo colorido, com leds, um LCD a passar os videoclips, deuses, figuras do imaginário infantil. As travagens sãos bruscas só para nós lembrar que estamos vivos.
No caminho paramos num check point. Tudo lá para fora, mostra-se os cartões, nós os passaportes e seguimos. Em conversa com um senhor, decidimos mudar o destino final, a volta assim até faz mais sentido. Saímos a meio do trajecto, num cruzamento para ir até Dambulla, uma das antigas capitais do Sri Lanka.

Primeiro dia:
-Banhada no preço do autocarro. Cobrou-nos o dobro, porque depois de vermos o talão as localidades não eram as mencionadas. ( 2€ cada um)
– Almoço vegetariano buffet a (1.75€ cada um – preço normal 1 €)
Até são meiguinhos a enganar-nos, mas esperem pelo segundo dia, pá. Aprendemos rápido.

 

4 de Maio – Dambulla

Ontem quando chegámos ficámos um bom bocado à conversa com o dono do Hostel, somos o únicos cá. Está tudo bué limpo e organizado.
Já percebemos que aqui é fácil andar de autocarro para todo e qualquer lado, estão sempre a passar. Os vermelhos são do estado, os azuis são privados, mais foleiros por dentro mas mais recentes, e pertencem a indivíduos que exploram uma rota, como é o caso do dono do Hostel onde estamos. O gajo trabalhou bué anos na África do Sul e quando voltou investiu em alojamento e autocarros.

Seguimos até Sigiriya, um complexo muito bem cuidado, que foi outrora a segunda capital do Sri Lanka. Temos duas opções, a Pindurangala Rock e a Lion Rock. As diferenças no preço são absurdas (2.50€ para 27€). Tudo bem que na segunda existem as ruínas de uma cidade fundada em cima de uma rocha, mas o nosso orçamento não está para essas coisas e optamos por subir à mais barata.
Para além da vista privilegiada sobre a Lion Rock, temos na nossa frente quilómetros de uma planície verdejante sem fim. Que boa forma de começar.
Ouvíamos relatos de amigos que demoraram a fazer a caminhada para cima por causa da imensidão de gente, nós na manhã que passámos a explorar as redondezas cruzam-nos com seis pessoas.
Pelo caminho ainda vimos, primatas, pássaros de mil cores, um crocodilo e estávamos a torcer pelos elefantes, mas não aconteceu.

À tarde fomos ao Cave Temple, no centro de Dambulla, que tem por perto o Golden Temple, não muito impressionante para nós, pelos milhares de templos dourados que vimos até ao momento.
Apreensivos inicialmente em pagar o bilhete de 7,5€ no Cave Temple, ficámos super surpreendidos por todas as grutas pintadas, desde o chão ao tecto, cheias de pormenores e tão bem preservadas. São património mundial da UNESCO e valeram mesmo a visita.

Esta cidade é a loucura das cargas e descargas, é cá o centro logístico, tipo um mercado em tamanho gigante onde se vende e compra tudo em grandes quantidades. Camiões super coloridos, cheios de enfeites e sem portas carregados até ao limite. Bué fruta boa e legumes. Ah, e milhares de corvos e esquilos a sobrevoarem as nossas cabeças.

5 de Maio – Dambulla para Anuradaphura

Desta vez já pedimos o ticket e confirmámos. O gajo ficou lixado e cobrou-nos mais uma estação. Boa, foram 4 cêntimos por cada um a mais.
Reservámos um hostel super afastado do centro, somos os únicos lá, mas as condições pelo preço são brutais. Estamos impressionados com a limpeza, e com o facto de toda agente falar inglês. E com isto, continuamos a não perceber, como é que na Tailândia, sendo o país daqui da zona com turismo há mais tempo, são tão porquinhos comparados com os demais e no inglês uns nabiças.

Demos uma volta pelo centro e pouco mais.
Dia de fazer pesquisa/planeamento dos próximos passos e falar com a família.
Vimos a nossa sobrinha mais linda, que vontade de lhe apertar as bochechas.

 

6 de Maio – Anuradaphura

Á medida que os Tamil – etnia originária da Índia – tentavam conquistar o país, começando pelo norte, a capital do Sri Lanka, ia sendo implantada cada vez mais a sul.
Por estes dias andámos a explorar alguns dos templos e ruínas da primeira: Anuradhapura.

É nesta zona central do país, e nas antigas capitais, que o Budismo tem a sua maior força e actualmente, ainda vivem mais de 10 000 monges por aqui.
O problema é que por cá, contrariamente aos transportes, alimentação e alojamento super baratos, tudo o que é património histórico, é um balúrdio. Os valores rondam os 25$/30$ para entrada em vários templos e ruínas dos centros históricos. Podiam ser mais meigos.
A alternativa é visitar o pequeno conjunto de monumentos que tem entrada gratuita ou com valor simbólico, e é isso que temos feito.

Hoje alugámos bicicleta no hostel, feitos ursos, o calor até nos derrete o cérebro e não aproveitamos tão bem. Em contrapartida, é sempre bonito perdemo-nos pelo countryside, onde a vida decorre com calma. É sempre uma experiência brutal, quando andamos de bicicleta e mota fora dos roteiros turísticos. Entre lavar roupa no rio, cultivar campos, dormir a sesta à porta de casa, os putos a brincar todos nus, as vacas, os pavões selvagens, e os cães raivosos a correr atrás das nossas pernas, temos de tudo do mais puro e genuíno. Repetimos “Hello”, vezes sem conta.

Num dos templos mais importantes, fomos só revistados por mil polícias diferentes, seis vezes. Também foi neste complexo que pela primeira vez aceitámos um guia, pela módica quantia de três euros, e na verdade aprendemos muito. Muitas das coisas iríamos passar sem prestar atenção e têm uma explicação lógica e fundamental para entender aquele lugar.
Exemplo: daquilo que nos parecia um maceiro para as vacas e afinal era o gigante recipiente onde se punha o arroz para servir as centenas de monges. Cada dia uma família era responsável (de forma obrigatória) por alimentar estes gordinhos, que rezam e meditam arduamente por todos nós.
Ainda bem que só comem duas vezes por dia, porra.

Continuávamos a ver muito poucos turistas, só dois casais australianos mais velhos que quiseram tirar uma foto connosco para publicar nas redes sociais e “chamar” mais gente. Nisto, o nosso fiel guia viu hipótese de fazer muito mais dinheiro com estes potenciais clientes e cagou para nós, a visita já tinha chegado quase ao fim mas pronto.

Rice and curry é a comida que se vê em todo o lado. Com o nome indica é um pratado de arroz que dá para dois, e quatro ou cinco taçinhas com diferentes currys vegetarianos como, couve, beterraba, grão, lentilhas, flor de bananeira, soja, e coisas que não sabemos. Podemos pedir um pedaço de frango, peixe ou carne. As doses são exageradamente bem servidas, e os locais comem à mão. Eu pessoalmente adoro a mistura do picante, que faz chorar, de um curry, com o doce de outro, o estaladiço de outro e a javardar à mão.
O Bag gosta do kottu, que também costuma dar para dois. É roti* cortado aos pedaços misturando com vegetais, e pode ter peixe, frango ou ovo.

*roti – uma espécie de panqueca que também pode ser acompanhada com curry ou sambol.
Aqui há vegetais que nunca vimos e o nosso querido, alho francês. Amamos alho francês e nos últimos meses não vimos uma única vez, em nenhum país.

As frutas e os cocos são os melhores que comemos em toda a nossa vida. Mnhami.

 

7, 8 e 9 de Maio – Anuradaphura para Tricomalle + Nilavelli

Não aguentamos com o calor e por isso decidimos saltar o norte. Disseram-nos que lá está pior do que aqui no centro, como assim pior? Esquece, vamos é para a costa.
No norte é onde que se concentra a maior parte da população Tamil, vamos perder essa parte.

Seguimos para Tricomalle, uma pequena cidade costeira.
O costume, tuc-tuc, gente à nossa volta para vender, às vezes parecem mosquitos. Passámos por uma igreja, um templo hindu, e uma mesquita na mesma estrada. As vacas alimentam-se do lixo, tal como os cães e os corvos. Nos autocarros continuamos a lutar pelo preço justo, e pelo nosso espaço vital, onde empurrar é super natural e diria talvez, uma regra de boa educação, sei lá.
Apanhámos outro autocarro para Nilavelli, a zona de praia. É tipo um bairro entre bananeiras e palmeiras, com casas muito simples, estradas em terra batida, algumas Guesthouses e uns quantos restaurantes fechados. Da estrada principal para lá é menos de um quilómetro, mas um chato de um condutor insiste em levar-nos de forma gratuita, com a condição de, se precisarmos o chamar. Está bem. Nós por eles aqui éramos obesos, não só pela quantidade de comida que nos servem mas pelo facto de nos oferecerem transporte até para 200 metros.

O espaço é bem simples e acolhedor e decidimos passar uns dias. Pela primeira vez partilhámos “casa” com três estrangeiros.
De manhã, no seguimento daquele pequeno-almoço de rebentar pelas costuras, escolhemos o que queremos para o jantar para o dono do Hostel cozinhar para nós. Não há muitas opções abertas ali à volta e a comida apesar de ser um bocadinho mais cara (entre 1,70€ e peixe fresco a 5€), é mesmo deliciosa.
Ficar nestes alojamentos pequenos dá-nos a vantagem de conhecer o dono do Hostel, falar com ele, a família e os amigos.

Passámos os dias entre uma estúpida corrida ao sol, horas a fio com o rabo de molho na água morna, calma e super limpa (estamos impressionados neste ponto). A escrever, ler, fazer Yoga e comer que nem alarvos. Parece que estamos de férias.

A cobra gigantesca na areia e as dezenas de cães com sarna que se juntam ao nosso redor na areia não nos deixam muito confortáveis, mas por cá é mesmo assim. Começamos a criar algumas resistências emocionais a este drama da Ásia, mas os animais sabem quem lhes pode dar algum amor e não nos largam. Alguns têm tanta sarna que não se vê um pedaço de pêlo, tumores, infecções gigantes e o drama das cadelas com cio. É doloroso, é assustador e sabemos que mudar consciências por cá vai ser difícil.
O facto de ser um país maioritariamente Budista, leva-os a considerar os cães como reencarnação de pessoas menos boas, tal como os Hindus. Não lhes fazem mal, mas também não os cuidam – vimos isto em todos os países.
Disseram-nos, mas não conseguimos comprovar, que aqui a vacinação e esterilização dos animais é gratuita, de modo a tentar travar a reprodução e doenças, mas nem assim as pessoas querem saber.
Para além disso há macacos e é preciso estar sempre de olho antes que nos fujam com alguma coisa.

10 de Maio – Nilavelli + Tricomalle para Kandy

Já chega de boa vida, pusemos a mochila às costas e seguimos caminho.
Entre a confusão de negociar um tuc-tuc, ao facto de várias pessoas nos dizerem que era feriado, havia uma manifestação, não havia autocarros e uma espera na paragem que não deu em nada, cedemos e tivemos de ir num desses carrinhos típicos.
Quando chegámos à cidade estava tudo fechado, havia muita gente na rua e muitos militares e polícias. Parecia tudo calmo, mas percebemos depois que se tratavam de rusgas por ser uma zona onde vivem muitos muçulmanos.
Pobres muçulmanos, vão continuar a levar por tabela.

Foi a primeira vez que partilhámos autocarro com estrangeiros e também a primeira vez que o pica nos deu o talão com as localidades e preços certos (111 Km – 165 Rupias – 0.84€).
Tivemos de voltar a Dambulla para trocar para Kandy e o dia foi quase todo passado em viagens.
Parámos em quatro check points e as forças policiais e militares continuam a surpreender com a sua amabilidade e simpatia.
O povo respeita, todos sabemos que é para o nosso bem e segue tudo calmamente, à excepção do autocarro.

Quando chegámos, deixámos as coisas no hostel (vazio, por sinal) e fomos palmilhar durante quatro horas a cidade.
Kandy foi também capital do Sri Lanka, quando em 1952 os Cingaleses quiseram fugir de invasores como nós, portugueses, que viemos para cá meter o bedelho em 1505.
Toda a gente nos fala do Lourenço de Almeida, o capitão da altura. Não sabíamos quem era, mas já pusemos as pesquisas em dia.
Ainda hoje em dia, é a segunda maior cidade. Muita confusão, sujidade, barulho e loucura. Apesar disso, em cada canto damos conta de uma coisa nova e interessante. Por vezes é muito cansativo não querer ser desagradável e ser abordados 30 vezes por segundo na rua.
Estamos com calo, mas há dias em que, caramba, a paciência se esgota.
Fomos ao mercado carregar-nos de fruta deliciosa e fizemos salada de fruta para o jantar. Eu, especialmente, gosto de curry mas é bom desenjoar.

 

11 de Maio – Comboio de Kandy para Ella + Badulla e vice-versa

Chegou finalmente, o dia de fazer aquela que é considerada uma das viagens de comboio mais bonitas do mundo. Não fizemos assim tantas, mas comprovamos a veracidade da informação.
Chegámos à estação de Kandy, bem mais cedo para não perder o bilhete da terceira classe (o mais baratinho). Tínhamos lido em muitos blogs e muitos viajantes nos disseram que era a completa loucura para arranjar lugar no comboio.
Em tempos áureos, havia quem fosse para a estação anterior para não levar com a imensidão de gente, mas ao que parecia esse truque já estava tão batido que os turistas acabavam todos por fazer o mesmo e levar com a multidão.
Nos tempos que correm, não tivemos absolutamente problema nenhum em ter lugar, sentados, na janela. Na nossa carruagem iam cerca de 10 pessoas, todos locais.
Apesar de, obviamente, já termos percebido que as coisas estavam mal no país, aqui é que levámos a chapada de realidade. De um comboio completamente esgotado, para um comboio vazio num espaço de duas semanas (ou oito bombas).

Foram sete horas e meia de paisagens super diversas. Os famosos e impressionantes campos de chá, montanhas, vales, rios, cascatas, gente nos seus afazeres diários, pequenos povoamentos e uma aragem mais fresca que soube à vida.
Estes campos infinitos de chá, foram introduzidos pelos ingleses, aquando a colonização, assim como o café e a borracha. Sempre nas montanhas porque a temperatura é mais agradável.
Também por causa dos ingleses, e tal como nas Filipinas, toda agente nos trata por Madame e Sir. Continua a ser uma coisa que nos soa assim para o estranho, mas pronto.

Almoçámos no comboio, o que não faltam são vendedores ambulantes. Dormi uma sesta e também nos entretemos a matar baratas.
Usar os transportes locais continua, para nós, a ser uma das melhores formas de conhecer a cultura de um país e adorámos esta viagem.
A mais de meio caminho demos conta que, uma vez mais, fomos aldrabados no bilhete. Deram-nos o bilhete, Kandy – Badulla (cidade depois de Ella, a nossa paragem). Não ficámos muito chateados porque iríamos passar a ponte dos nove arcos. Quando chegámos ao destino pegámos num autocarro e voltamos para trás.
O que é que o senhor que nos enganou ganhou com isto? Absolutamente nada, mas é divertido enganar estrangeiros.

Ella é o lugar mais turístico onde estivemos até agora. Bares e restaurantes com pinta, lojas de souvenirs, massagens, tatuagens, comida ocidental, preços acima da média até no tasco mais tasco e doses que já não conseguimos dividir.
A nossa homestay fica no meio da selva, que já não é assim tão selva, junto com mais 200 homestays, Guesthouses e hosteis, que mesmo em época de muita gente, nos custa a acreditar que estejam todos lotados.

 

12 de Maio – Ella (Rock)

Ella é conhecida pelos seus trekkings, cascatas – mesmo que um pouco afastadas – por ser um ponto de passagem do trajecto de comboio e pela ponte dos nove arcos.
Continuamos a dizer que estes gajos, de todos os países, são mesmo muito bons a divulgar e a criar atracções onde não existia nada. Penso sempre na nossa Batalha e no potencial das mil coisas que há redor para fazer e passar a ser mais que um lugar de passagem.

Começámos cedo por causa do calor, pois apesar de ser mais fresco ainda bate. Os pequenos almoços continuam a ser de reis, mas é melhor comer que temos uma subida boa pela frente.
O caminho é mesmo agradável, dá para fazer uma parte pela linha do comboio, parar numa cascata, passar o rio, beber um cocô, ver os trabalhadores a cortar as folhas de chá e depois é perninhas para que te quero. Sempre a subir até à Ella Rock onde na imensidão das montanhas e dos vales nos sentimos pequeninos.

Já tínhamos sido avisados que é comum no caminho haver pessoas a induzir os estrangeiros em erro, para nos levar para longe do trekking e com isto, mais tarde alguém aparecer, salvar-nos e cobrar por isso. Era um miúdo caramba, um miúdo a dizer que por ali não dava, quando tínhamos a porra do telemóvel com o Maps.me na mão e estávamos a ver os trajectos todos que tínhamos possíveis. É seguir, sem olhar para trás, super confiantes, porque eles são mesmo persistentes, e ignorar.

Na parte da tarde, mais uma caminhada até à famosa ponte dos nove arcos, agora do lado de fora. Surpreendentemente, os comboios no Sri Lanka passam mais cedo que o previsto e perdemos o das 15 horas.
Havia um às 17h e ficámos por ali a conversar com locais e estrangeiros, a observar pássaros e a paisagem até que o mítico comboio azul passa-se.

Excertos tirados do diário de viagem.

Sempre com amor,

Marta & Bag

Ao som de Janis Joplin – Try

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *